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quarta-feira, 29 de julho de 2009



NÃO TENHO TEMPO" .... Esta, é uma daquelas frezes que não me sai da cabeça o dia todo... da minha; e da de milhares de cabeças como a minha.... mas se pensar-mos bem somos capazes de ver, que afinal pudemos sempre arranjar um tempinho para fazer aquilo que nos propomos ... mas dizer-mos: "não tenho tempo" é a desculpa mais conveniente que arranjamos para dizer que não podemos realizar determinadas tarefas.

Afinal quem é o responsável pela gestão do nosso tempo, ninguém a não ser nós..... somos o que nos deixamos ser; parece-me ...

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Sabe, meu filho, até hoje não tive tempo para brincar com você.
Arranjei tempo para tudo, menos para ver você crescer.
Nunca joguei dominó, dama, xadrez ou batalha naval com você.
Percebo que você me rodeia, mas sabe, sou muito importante e não tenho tempo.
Sou importante para números, conversas sociais, uma série de compromissos inadiáveis...
E largar tudo isso para sentar no chão com você...
Não, não tenho tempo!
Um dia você veio com um caderno da escola para o meu lado.
Não liguei, continuei lendo o jornal.
Afinal, os problemas internacionais são mais sérios que os da minha casa.
Nunca vi seu boletim nem sei quem é a sua professora.
Não sei nem qual foi sua primeira palavra; também, você entende...
Não tenho tempo...
De que adianta saber as mínimas coisas de vocêse eu tenho outras grandes coisas a saber?
Puxa, como você cresceu!
Você já passou da minha cintura, está alto!
Eu não havia reparado nisso.

Aliás, não reparo em quase nada, minha vida é correr.
E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora.
E se o uso aqui, perco-me diante da TV.
A TV é importante e me informa muito...
Sei que você se queixa, que você sente falta de uma palavra,
de uma pergunta minha, de um corre-corre, de um chute na bola.
Mas eu não tenho tempo...

Sei que você sente falta do abraço e do riso,
de andar a pé até a padaria, para comprar guaraná.
De andar a pé até o jornaleiro para comprar "Pato Donald".
Mas, sabe, há quanto tempo não ando a pé na rua?
Não tenho tempo...

Mas você entende, sou um homem importante.
Tenho que dar atenção a muita gente.
Dependo delas... Filho, você não entende de comércio!
Na realidade, sou um homem sem tempo!
Sei que você fica chateado, porque as poucas vezes que falamos
é monólogo, só eu falo.
E noventa por cento é bronca: quero silêncio, quero sossego!
E você tem a péssima mania de vir correndo sobre a gente.
Você tem mania de querer pular nos braços dos outros...
Filho, não tenho tempo para abraçá-lo.

Não tenho tempo para ficar com papo-furado com criança.
Filho, o que você entende de computador,
comunicação, cibernética, racionalismo?
Você sabe quem é Marcuse, Mc Luhan?
Como é que vou parar para conversar com você?
Sabe, filho, não tenho tempo, mas o pior de tudo,
o pior de tudo é que...

Se você morresse agora, já, neste momento,
eu ficaria com um peso na consciência,
porque, até hoje, não arrumei tempo para brincar com você.
E, na outra vida, por certo, Deus não DERÁ TEMPO de me deixar, pelo menos, vê-lo!



(Afinal sempre consegui arranjar 25 min. para publicar este post) lol....

segunda-feira, 2 de março de 2009




A rã não sabia que estava a ser cozinhada.
Imagine uma panela cheia de água fria, na qual nada tranquilamente uma pequena rã.
Um lume brando sob a panela e a água aquece muito lentamente.
Pouco a pouco água fica morna e a rã, achando bastante agradável, continua a nadar.
A temperatura da água continua a subir...
Agora a água está mais quente do que a rã gostaria, sente-se um pouco cansada, mas, não obstante, isso não a faz desconfiar.
Agora a água está realmente quente e a rã começa a achar desagradável, mas está muito debilitada, aguenta e não faz nada...
A temperatura continua a subir, até que a rã acaba, simplesmente, morta e cozida.



Moral:
Se a mesma rã tivesse sido lançada directamente na panela com a água a 50 graus, com um golpe de pernas teria saltado imediatamente para fora da panela.

Isto mostra que, quando uma mudança acontece de um modo suficientemente lento, escapa à consciência e não desperta, na maior parte dos casos, nenhuma reacção, nem um pouco de oposição ou alguma revolta.

Se nós olharmos para o que tem acontecido na nossa sociedade durante as últimas décadas podemos ver que estamos a sofrer uma lenta mudança na vida à qual nos vamos costumando.
Uma quantidade de coisas que nos teriam feito horrorizar há 20, 30 ou 40 anos, foram a pouco e pouco banalizadas e hoje apenas perturbam levemente ou até deixam completamente indiferente a maior parte das pessoas.

Em nome do progresso, da ciência e do lucro são efectuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver. Lenta, mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, desavisadas e agora incapazes de se defenderem.

As previsões para o futuro, em vez de despertarem reacções e medidas preventivas, não fazem outra coisa que não seja preparar psicologicamente as pessoas para aceitarem algumas condições de vida decadentes, aliás dramáticas.
O martelar contínuo de informação dos meios de comunicação social satura os cérebros que não conseguem distinguir mais as coisas...

Conscientes ou cozinhados, precisamos de escolher!



por Olivier Clerc, escritor e filósofo

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"Fala-se tanto da necessidade de deixar-mos um planeta melhor para os nossos filhos e esquecemo-nos da urgência de deixarmos filhos melhores, para o nosso planeta...



"Autor desconhecido"

quarta-feira, 4 de junho de 2008